Quando você está em um trabalho mais tradicional, pode parecer difícil de alcançar um trabalho criativo. Como você decide o que quer e depois transforma isso em uma fonte de renda? Conversamos com Anna Lebedeva, que já passou por esse caminho e obteve sucesso, na esperança de que sua experiência possa responder algumas perguntas que você possa ter. Continue lendo para saber mais!

 

Anna Lebedeva, a fundadora de Paris with me, é uma pessoa de vários talentos. Ela já estudou negócios, e agora é criadora de conteúdo em tempo integral. Anna ia todos os dias a um escritório parisiense para trabalhar no comércio atacadista, mas atualmente passa seu horário de almoço ao lado do oceano Atlântico.

Como criadora de conteúdo e fotógrafa, colaborou com algumas das marcas mais legais: Pangaia, Volvo, Galeries Lafayette, Huawei, Armani Beauty, L’Oréal, Elle. Mesmo que tudo isso possa parecer fácil e incrível, Anna enfrentou diversos desafios internos e externos para fazer tudo acontecer. Nesta entrevista, ela se abre e compartilha sua experiência.

young blond woman

Qual o seu histórico? O que você estudou e qual era o seu trabalho de escritório?

Estudei marketing durante 5 anos na Rússia, depois me mudei para a França e continuei minha educação em negócios e comércio internacional. Como estudante, tive alguns empregos de meio período e fiz um estágio em comércio internacional, que mais tarde se tornou meu trabalho em tempo integral. A empresa em que trabalhei era intermediária entre marcas de moda francesas e lojas do Leste Europeu. Trabalhei no comércio atacadista.

Tinha algo de criativo nesse trabalho?

Quase nada, apesar de acreditar que ainda existe criatividade nas vendas. Quando você trabalha com marcas premium, você lida com um nível de design que requer briefing, então você mergulha profundamente no fundo criativo de cada coleção que trabalha. E mesmo que você não crie nada sozinho, ainda faz parte de um processo complexo que exige muita criatividade. Meu trabalho era principalmente sobre vendas e números.

Eiffel tower

Quando você começou a pensar em mudar de carreira? Como foi para você?

Algumas coisas muito importantes tiveram que funcionar antes que eu pudesse me dar ao luxo de começar a pensar nisso. Em primeiro lugar, a minha autorização de residência. Eu era estrangeira, então receber uma permissão estável que me permitisse mudar de emprego era algo crucial para mim.

Quanto tempo durou esse período?

Eu mudei para a França em 2011, e comecei a pensar em sair do meu trabalho em 2016, e fiz isso um ano depois. Eu continuei fazendo meu trabalho por cinco anos quando eu saí.

O que te fez considerar a mudança?

Depois de me formar na faculdade, comecei a trabalhar em tempo integral e descobri que tinha muito tempo livre. Existiam poucos lugares com um café bom em Paris naquela época, então foi uma aventura para mim descobri-los e explorá-los. Passava meus finais de semana fazendo caminhadas, descobrindo novos lugares, tirando fotos por lá e publicando no Instagram. DEe início, tive a ideia de criar um guia de cafés em Paris. Quanto mais eu compartilhava, mais seguidores eu tinha. Então comecei a postar fotos da cidade, e isso definitivamente atraiu ainda mais pessoas. Por um tempo, eu não estava ganhando nada além de seguidores, mas em certo momento, comecei a receber convites para eventos e pequenos presentes. E então, eu tive algumas parcerias pagas, o que foi muito incrível para mim. Minha colaboração com a L’Oreal Russia foi o ponto de ruptura quando percebi que poderia fazer isso em tempo integral. Filmamos um grande projeto para o canal do YouTube com uma enorme equipe de produção.

Parisian flat

Então, quando pensou em sair do emprego no escritório, você se imaginou sendo uma criadora de conteúdo em tempo integral no Instagram, correto?

Sim, esse era o plano. Eu pensei que meu blog seria minha fonte de renda primária.

Mas ainda não era o caso, certo?

Não, eu tive algumas parcerias pagas, mas ainda não era suficiente para cobrir todos os meus gastos. E minha agenda era certamente uma restrição porque eu não podia participar de muitos eventos e conhecer novas pessoas nos dias de semana, então não tive muitas oportunidades.

O que você fez depois de decidir sair do seu trabalho? Como você se preparou para essa grande mudança?

Para mim, sempre foi muito importante economizar. Eu faço isso desde que consegui meu emprego de tempo integral. Porém, eu não tinha um objetivo financeiro. Eu apenas economizava o que me restava no final do mês. Quando comecei a planejar deixar meu emprego no escritório, eu tinha economias suficientes para viver moderadamente durante um ano. Eu teria que fazer alguns sacrifícios, mas seria capaz de cobrir o básico. Eu precisava dessa rede de segurança para evitar estresse extra com a falta de renda durante os primeiros meses sem meu trabalho no escritório. Esta foi a parte maior e mais crítica da minha preparação.

young Parisian woman

Como você imaginou sua nova vida? Como você achou que seria ser uma criadora de conteúdo em tempo integral?

Eu realmente não fazia ideia e não tinha nenhum plano específico. Eu só sonhava em passar minha primeira semana na cama porque sempre odiei acordar cedo. E depois quis dedicar a segunda semana para explorar Paris. Eu não passava muito tempo na cama, mas saía bastante para passear pela cidade.

Você teve que fazer alguma alteração legal depois de se demitir?

Felizmente, eu já estava registrada como empresária. Eu tive que fazer isso para as parcerias pagas que eu tinha feito anteriormente, então eu não tive que lidar com essa parte depois de me demitir.

E como você descobriu o que fazer depois?

Eu meio que não descobri. Eu apenas sentei e esperei por alguns meses. Eu esperava que as propostas de parceria chegassem no Instagram. Dois meses depois, comecei a pirar. Foi quando meu parceiro sugeriu que eu tentasse trabalhar como fotógrafa para clientes pessoais. Certamente, eu já estava tirando algumas fotos como criadora de conteúdo, mas trabalhar com pessoas foi um passo muito aterrorizante para mim. Mas eu gostei da ideia, então gastei uma quantia significativa de minhas economias para comprar uma nova câmera. De repente, eu estava menos focada em criar conteúdo para o meu Instagram do que em tirar fotos de turistas. Mas me ajudou muito. Caso contrário, eu teria passado dificuldade durante aquele primeiro ano de freelance.

Paris in summer

Qual foi sua atitude em relação a essa mudança? Como você se sentiu ao escolher de repente ser fotógrafa e trabalhar com clientes pessoais?

Foi extremamente difícil para mim. Ainda tenho dificuldade em me chamar de fotógrafa profissional, mesmo fazendo isso há anos. Eu definitivamente tenho a síndrome do impostor. Naquela época, eu estava apavorada. E eu estava cercada de fotógrafos profissionais com diplomas, muita experiência e ótimos ensaios fotográficos. Senti medo e vergonha de dizer que era uma fotógrafa como eles. Eles sempre me apoiaram muito, mas eu ainda duvidava muito de mim. Porém, a minha prioridade era começar a ganhar dinheiro novamente, então isso me ajudou a lidar com esses desafios emocionais.

Quantos ensaios fotográficos com turistas você fez durante esse primeiro ano?

De 3 a 5 todas as semanas por cerca de 5 meses, em torno de 80 no total. Algumas duravam uma hora, outras até três. Trabalhar tanto me permitiu ter a experiência que eu precisava e me sentir mais confortável fazendo isso. Toda semana era um pouco diferente em relação à quantidade de trabalho, mas as sessões de fotos eram muito parecidas. Todos queriam ir aos mesmos locais e usar as mesmas poses. Foi um desafio lidar com novas pessoas todas as vezes, mas também foi uma experiência muito valiosa para mim.

O que aconteceu depois? Isso não é o que você tem feito nos últimos anos.

Quando percebi que tinha muito pouco tempo e energia sobrando para conteúdo criativo, percebi que precisava fazer algumas mudanças novamente. Sempre tive mais interesse em trabalhar com marcas.

Young woman in Biarritz

O que tornou isso possível para você?

Depois de um ano como freelancer, consegui meu primeiro grande cliente regular – Elle. Eu tinha que criar muitos conteúdos para eles todos os meses, e eles estavam me pagando bem, então eu poderia trabalhar menos com clientes pessoais e focar em parcerias de marca.

Você pode me contar mais sobre seu trabalho com a Elle?

Primeiramente, preciso esclarecer que não estou falando da revista. Elle também é uma marca registrada sob a qual muitos produtos diferentes são vendidos em todo o mundo. É uma grande corporação e empresa. Basicamente, eu era diretora de arte, fotógrafa, criadora de conteúdo, editora e modelo para eles. Às vezes eu estava atrás da câmera, às vezes eu estava na frente dela, mas as ideias eram sempre minhas. Além disso, havia muitas tarefas nos bastidores: e-mails, discussões, acordos, contratos, planos, faturas, encomendas, aprovações. Foi muito trabalho!

Quanto tempo durou?

Três anos. Trabalhei com eles de 2018 a 2021. E mesmo depois que paramos de colaborar, todos os meses no início de 2021 ainda continuamos fazendo alguns projetos menores juntos.

Foi uma decisão difícil de tomar?

Sim, me acostumei a ter um cliente regular, o que implicava uma certa quantidade de trabalho e uma taxa estável. Eu de novo eu estava apavorada e ansiosa. Analisando minha renda no final de 2021, posso ver claramente que ganhei bem menos do que em 2020. É doloroso reconhecer isso.

O que você acha sobre isso? Você se arrepende de ter tomado essa decisão?

Eu gostaria de fechar essa lacuna financeira no futuro, mas não me arrependo. Percebi que estava fazendo a coisa certa. Antes de tomar essa decisão eu senti que não estava satisfeita, então estou feliz por ter feito isso. E eu estava planejando deixar Paris na época, e acho que isso me encorajou a ir em frente. Porém, foi desafiador e assustador. E não importa o que aconteça, acho que a melhor coisa que você pode fazer por você mesmo é economizar dinheiro. Sempre e em qualquer circunstância. A economia permite que você seja mais flexível com as decisões que toma.

Dog in nature

Você largou o seu emprego de escritório há 4 anos e desde então já fez várias iterações profissionais. Onde você está agora?

Saber que minha renda depende de parcerias pagas e estatísticas no Instagram me estressa. Me sinto presa pelo algoritmo que está constantemente mudando. Eu gostaria de poder experimentar coisas novas com base na minha curiosidade, em vez do que o aplicativo favorece. Minha conta está crescendo há anos e seria uma decepção arruiná-la tão rapidamente. Mas, adoro colaborar com marcas e criar conteúdo para elas, então gostaria de continuar e diversificar minhas fontes de renda.

Quais serão seus próximos passos? Você quer começar um negócio próprio?

Sim! Estou convicta de que não quero voltar para o escritório. Eu tentei alguns empreendimentos diferentes fazendo predefinições de edição de fotos e vendendo decoração vintage on-line. Adoro fazer fotos de objetos há anos e gostaria de continuar. Entretanto, ainda não encontrei uma forma de torná-lo lucrativo. Indiscutivelmente, quero continuar produzindo conteúdo. Eu amo isso, mas eu tenho que tentar me estressar menos.

Como você enxerga seu desenvolvimento como criadora de conteúdo e fotógrafa?

Não quero estar na frente da câmera toda hora. Eu gostaria de ser a diretora de arte e a fotógrafa mais vezes. Falar isso em voz alta me deixa desconfortável porque minha dúvida só aumenta, porém essas são minhas aspirações. Eu posso não ser a pessoa certa para esta entrevista e tópico.

Não, na realidade acho muito útil saber que você mudou drasticamente sua vida e trabalhou em projetos emocionantes, apesar do medo e da dúvida. Você experimentou diferentes domínios e formas de expressar sua criatividade. Acredito que isso pode ajudar várias pessoas lá fora.

Claro, eu compreendo o que você quer dizer. Apesar de eu batalhar para identificar quem sou e o que faço, qual é o meu título, também aprecio minha vontade de tentar coisas novas. Atualmente, estou obcecada por vídeo. Pretendo aprender e praticar o máximo possível. Estou ansiosa para me desenvolver e melhorar nesse sentido, porque isso me deixa realizada.

small French town

Quais outros desafios você precisou enfrentar como criativa independente nos últimos 4 anos?

Acredito que seja muito difícil estar no comando tanto de assuntos criativos quanto financeiros. Por um lado, você precisa defender sua visão. E, por outro, você precisa lidar com dinheiro. Descobrir quanto pedir como freelancer é muito confuso. Muitas vezes, você tem que pressionar as empresas para obter o que pede. É estressante. Como criativa, duvido de mim sempre, mas também preciso me vender bem para continuar trabalhando. É uma combinação complexa, não é mesmo?

Como você lida com a pressão?

É fundamental não se comparar com os demais. Você precisa se lembrar que foi contratado, então existem pessoas que valorizam você, sua visão e sua criatividade, e acreditam no que você pode fazer. Você pode ter um dia ruim ou até mesmo uma semana péssima, mas precisa pensar em tudo o que já realizou. Você tem que acreditar em si mesmo, até quando parece impossível.

Você tem alguma dica sobre finanças?

Eu sempre pergunto sobre o orçamento do projeto. Nem todos respondem, mas alguns sim e isso me dá uma ideia de quanto pedir. Esse é o conselho que eu daria. E, no mais, faço o máximo de perguntas possível.

Red vintage car in Paris

Você disse que seus amigos são fotógrafos. Como o ambiente afetou as escolhas e decisões que você vem tomando?

Foi um impacto significativo pra mim. Quando consegui meu emprego em tempo integral, estava muito ansiosa para construir uma carreira corporativa e estava cercada por pessoas que compartilhavam dos mesmos objetivos. Assim que criei uma conta no Instagram, comecei a buscar pessoas com ideias semelhantes, criadores de conteúdo e fotógrafos. Acredito que é bem mais fácil tomar decisões difíceis e grandes mudanças quando você tem pessoas por perto que já vivem dessa forma. Além do mais, é importante poder questionar. Pode parecer que ninguém quer compartilhar nada, mas se você for respeitoso e mostrar curiosidade, conseguirá respostas valiosas.

Quais as recomendações você faria para alguém que deseja conhecer pessoas que têm pensamentos como você?

Usar hashtags e geotags para buscar pessoas que vivem na mesma área e fazem algo que me interessa. Dificilmente eu entraria em contato com criadores que possuem muitos seguidores. No lugar disso, eu iria encontrar alguém que está começando e queira se conectar com os outros. Provavelmente, eu participaria de eventos específicos na vida real. Por exemplo, uma palestra ou um workshop de alguém cujo trabalho eu gosto. É o lugar ideal para conhecer novas pessoas.

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